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As mudanças na rotina de quem perdeu parte da visão em mutirão de cirurgias do Governo de Rondônia



Cinco minutos: esse foi o tempo que Maria Helena, de 52 anos, passou na sala de cirurgia para tratar uma catarata, durante mutirão realizado pelo Governo de Rondônia. Foi tempo suficiente para que a vida dela mudasse drasticamente, após contrair uma bactéria.


Quando acordou no dia seguinte à cirurgia, a visão do olho esquerdo de Maria estava completamente embaçada, bem pior que antes da cirurgia. Ela enxergava bem somente do olho direito. Com a dificuldade de visão, ela se tornou dependente da ajuda da família.


"É muito ruim você ficar debilitada. Eu era independente, eu dirigia, resolvia meus problemas sozinha. Agora eu dependo da minha filha para me levar nos lugares", lamentou.


A situação do olho veio melhorar minimamente quando a paciente procurou um médico particular. Desde de o início do tratamento ela diz que já gastou mais de R$ 25 mil, mas a esperança de que volte a enxergar como antes é praticamente inexistente.


"Ele [o médico] falou que ia salvar o meu olho, para não secar, para não ficar branco. Agora a volta da visão ele falou pra eu ter fé em Deus. Ele não deu certeza, falou que talvez pode voltar um pouco, mas não totalmente como era antes", comentou.


Maria Helena entrou com um processo contra o Governo de Rondônia pedindo que o estado arque com as despesas dos atendimentos particulares.

Outros infectados


De acordo com informações do Estado, até o momento foram identificadas 70 pessoas infectadas com endoftalmite durante mutirões de cirurgias de cataratas e pterígios. Ao todo, foram atendidas 649 pessoas durante a ação.

O governo informou também que faz o acompanhamento de 28 pacientes. Desses, 21 precisaram passar por uma nova cirurgia e cinco desistiram da assistência dada pelo estado.

Entre os pacientes, foram identificados 14 que estão em estado crítico. Três deles receberam diagnóstico de "Sem Percepção da Luz (SPL)", ou seja, podem perder completamente a visão.

Investigação

O Conselho Regional de Medicina (Cremero) acompanha o caso e segue recebendo denúncias. Segundo a presidente, Ellen Santigo, foi aberta uma sindicância para apurar se houve falta de ética médica dos profissionais envolvidos no mutirão.


"Tendo indícios de infração ética, o médico responde um processo ético profissional e, dependendo da gravidade, ele pode receber apenas uma censura pública ou até a cassação do diploma", apontou.


A promotoria de saúde do Ministério Público do Estado (MP-RO) também investiga a situação, através de um comitê de crise instalado pela Secretaria de Saúde de Rondônia (Sesau). A promotoria aguarda o relatório final para definir medidas judiciais.


Por g1 RO e Rede Amazônica


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