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Troca de acusações marca saída de Moro do governo Bolsonaro



A saída do ex-juiz Sergio Moro do Ministério da Justiça hoje foi marcada por graves acusações trocadas entre ele e Jair Bolsonaro (sem partido) de interferência política.


Em pronunciamento no qual fez críticas ao presidente e o acusou de ignorar a "carta branca" que havia lhe prometido, Moro disse que diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Leite Valeixo foi exonerado do cargo sem que fosse consultado. Segundo ele, a troca teria sido motivada por um desejo do presidente de ter acesso a investigações e relatórios da entidade, o que é proibido pela legislação.


No pronunciamento mais longo de sua gestão, Bolsonaro rebateu as críticas e acusou Moro de "só pensar no próprio ego e não se importar com o bem dos brasileiros e do país". Ele negou que tenha pedido proteção a seus familiares e disse que não deseja interferir em investigações em andamento.


Bolsonaro, porém, acusou a PF de se preocupar mais em investigar a morte da vereadora Marielle Franco, há dois anos, do que a facada que levou na campanha de 2018. "A PF de Sergio Moro se preocupou mais com quem matou Marielle (Franco, ex-vereadora do Rio) do que com quem tentou matar seu chefe supremo. Cobrei muito deles isso daí, não interferi".


O presidente ainda acusou Moro de ser favorável à saída de Valeixo no final do ano caso fosse antes indicado a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Pela manhã e no início da noite, Moro negou que tenha feito a negociação. Nunca foi "moeda de troca", afirmou.


A saída do diretor-geral da PF é alvo de disputa de versões. Segundo Moro, Valeixo não pediu demissão da chefia da PF: "Vi que a Secretaria de Comunicação afirmou que houve exoneração a pedido, mas isso de fato não é verdadeiro. Bolsonaro justifica que, desde o começo de janeiro, Valeixo estava cansado e queria sair.


"Se eu posso trocar o ministro, por que não posso trocar o diretor da PF? Eu não tenho que pedir autorização a ninguém para trocar o diretor ou qualquer um outro que esteja na pirâmide hierárquica do poder Executivo", afirmou.


Por: Clarice Cardoso, do UOL em São Paulo

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